
Virada de Chave: O reforço histórico da fiscalização
O ano de 2026 marca uma virada de chave na fiscalização trabalhista no Brasil. Após anos de déficit de pessoal, o governo recompôs o quadro de auditores-fiscais do trabalho, ampliando de forma significativa a capacidade de fiscalização em todos os setores. Com mais equipes em campo e uso intensivo de tecnologia, a tendência é clara: reduzir a informalidade, corrigir distorções históricas e responsabilizar empresas que insistem em descumprir a legislação. Nesse cenário, tratar o tema como “custo burocrático” é um erro estratégico; estamos falando de sobrevivência jurídica, financeira e reputacional.
Fiscalização Digital: Algoritmos que não perdoam
Um dos pilares dessa nova fase é a fiscalização digital, baseada em cruzamento de dados. Informações enviadas ao eSocial, laudos técnicos, registros de jornada, afastamentos, benefícios e até dados previdenciários começam a ser analisados de forma integrada. Isso significa que incoerências entre o que está no sistema e a realidade da empresa deixam de depender de denúncia ou visita aleatória. Erros em eventos de saúde e segurança, omissão de acidentes, inconsistências no PPP eletrônico e ausência de correlação entre riscos declarados e PGR/PCMSO passam a ser “sinalizadores” automáticos de possíveis irregularidades.
Além do Papel: A era da coerência técnica
Ao mesmo tempo, a empresa precisa entender que o foco não é apenas papel assinado ou documento digital anexado, mas coerência técnica. PGR, PCMSO, LTCAT, programas de treinamentos e gestão de EPI devem refletir o trabalho real que o empregado executa, com riscos corretamente identificados, medidas de controle implementadas e evidências registradas. Entramos em uma fase em que laudo “de gaveta”, documento copiado de outra empresa ou programa desatualizado se transformam em prova contra o próprio empregador, principalmente quando confrontados com depoimentos, fotos, vídeos, perícias e registros de afastamento.
Saúde Mental no Radar: Riscos psicossociais entram em cena
Outro ponto sensível para 2026 é a ampliação do olhar sobre saúde mental e riscos psicossociais. Pressão excessiva por metas, assédio, jornadas abusivas, ambientes conflitivos e ausência de suporte organizacional deixam de ser apenas “problemas de gestão” e passam a integrar, de forma estruturada, o gerenciamento de riscos ocupacionais. Isso exige das empresas políticas claras, canais de denúncia efetivos, capacitação de lideranças e ações concretas de prevenção. Ignorar esse movimento é abrir espaço para autuações, ações civis públicas, condenações por dano moral coletivo e impactos severos na imagem empresarial.
Antecipação ou Reação? O dilema estratégico das empresas
Diante desse cenário, a preparação deixa de ser opcional. Empresas que desejam atravessar 2026 com segurança precisam adotar uma postura proativa: revisar documentação, alinhar RH, jurídico e SST, realizar auditorias internas, corrigir inconsistências no eSocial e transformar a conformidade trabalhista em rotina de gestão, não em “mutirão emergencial” às vésperas de uma inspeção. A pergunta que fica é simples e direta: sua empresa está reagindo à fiscalização ou se antecipando a ela? Quem escolher o segundo caminho reduz riscos, ganha previsibilidade e fortalece a relação com trabalhadores, órgãos de controle e o próprio mercado.